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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Questões Dissertativas

Questões discursivas

Cinco cuidados para uma boa resposta

O que significa escrever bem? Seria essa habilidade avaliada apenas na prova de redação? A grande preocupação de alunos e professores com as provas de redação em concursos e vestibulares faz com que, muitas vezes, crie-se um véu de esquecimento sobre a importância da boa escrita nas questões discursivas. Essa é uma falha grave e precisa ser corrigida. 
 Assim como nas provas de redação, todos os tipos de questões que precisam de respostas escritas (ou seja, as que não são objetivas, como os testes) avaliam o candidato em suas habilidades de leitura, interpretação e produção de texto. Isso acontece porque não basta que o candidato tenha conhecimento do assunto questionado: a pergunta precisa ser bem compreendida para que a produção da resposta esteja adequada ao que foi solicitado.  
A dificuldade na elaboração de respostas discursivas é um problema que acompanha a maioria dos estudantes em todo o período escolar. Para lidar com este problema, observemos algumas de suas possíveis causas. 

Resposta excessivamente objetiva: Perguntas orais, normalmente, recebem respostas curtas, diretas. Assim, diante da pergunta: "Qual a capital da Argentina?", comumente se responde apenas: "Buenos Aires". Entretanto, esse excesso de objetividade não é adequado para provas escritas, pois nesse caso a resposta não passará de palavras soltas que, isoladamente, não possuem sentido. A primeira dica importante para responder às questões discursivas de qualquer disciplina, é a visão da resposta como um pequeno texto, que deve possuir sentido completo. 

 Solução: Elabore a resposta como um pequeno texto autônomo, ou seja , aquele que qualquer leitor entende sem precisar ler a pergunta.Por exemplo, para a pergunta acima, a resposta seria: “A capital da Argentina é Buenos Aires”


Tema certo, resposta errada: No nervosismo decorrente da prova, o candidato lê a pergunta e, feliz por conhecer o assunto e ansioso por responder logo, passando para a próxima questão, registra seu pensamento de qualquer jeito, sem reler o que escreveu. Resultado: muitas vezes expõe muitos dados ligados ao tema, mas não responde ao que foi perguntado.  

Solução: Após redigir a resposta, releia a questão, verifique o que foi solicitado , especificamente, e se o seu texto responde a isso com precisão.


Pergunta objetiva, resposta prolixa: Na insegurança de dar uma resposta curta e errar, o candidato opta por escrever tudo que sabe sobre o assunto, inclusive a resposta esperada, mas sem destacá-la. O problema, porém, é que o avaliador não saberá se o candidato realmente sabe a resposta ou está arriscando colocar vários dados para ver se algum preenche o solicitado. Resultado: prejuízo na nota.

Solução: Comece o seu texto dando a resposta específiva e, só depois, acrescente as informações complementares para fundamentar seu ponto de vista.


Resposta incompleta: Algumas perguntas são divididas em tópicos. Em alguns casos, isso vem marcado claramente (item a, b, c...), mas em outros não, ou seja, durante a redação da pergunta encontram-se várias solicitações. Em ambos os casos, o candidato deve ficar atento para responder a todas essas solicitações, criando um texto com todas as informações necessárias.

Solução: Releia a pergunta e anote em tópicos separados todas as solicitações feitas, respondendo-as uma a uma primeiro, para só depois juntá-las em uma resposta de redação única, se for o caso. Ao final, confirme se a resposta ficou clara e se tudo que foi pedido, foi cumprido.


Excesso de abstrações em questão dissertativa: As questões dissertativas, normalmente, trazem um tema polêmico, que deve ser analisado de modo crítico, num espaço relativamente longo (cerca de quinze linhas). O problema é que, por ter mais espaço que o normal para responder uma pergunta, o candidato pode cair em divagações abstratas, ou perder-se na hora de organizar o conjunto de informações de que dispõe sobre o tema.

Solução: Elabore um texto com as mesmas etapas da dissertação (introdução, desenvolvimento e conclusão) só que em tamanho reduzido. Organize os dados em períodos objetivos, valorizando a relação entre crítica e fundamentação por meio de provas concretas. Verifique se as etapas de ponta (introdução e conclusão) estão suficientemente claras para apresentar o assunto ao leitor e deixar evidente o ponto de vista defendido na resposta.


E não se esqueça de revisar os aspectos gramaticais, como ortografia, acentuação, regência, concordâncias e sintaxe, garantindo que todas as frases estejam corretas e bem construídas. Vale a pena gastar um pouco mais de tempo com a elaboração das respostas para garantir o máximo de pontuação em cada uma delas.

Uma resposta bem elaborada pode valer muito mais do que duas com notas parciais.

(Sueli de Britto Salles :Mestra em língua portuguesa,
professora universitária e corretora de redações em vestibulares.)


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