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A Redação no Vestibular

A Redação e porque ela vale tanto no vestibular

A partir da criação da Fuvest, em 1977, a redação readquiriu sua importância e reafirmou  sua  função na seleção dos candidatos à vaga de um curso universitário. Um arsenal de excertos de diversas naturezas , chamado de coletânea, passa a ser  presença constante em diversos exames.  Os temas escolhidos são cada vez mais atuais e de conhecimento de todos, mas nunca óbvios. Hoje, o que se percebe é a preferência por problemáticas que reflitam a realidade brasileira. Em muitas instituições, no entanto, ainda é possível encontrar discussões sobre temas com algum grau de generalização e abstração conceitual (“amizade”, tema da Fuvest, por exemplo).
Mas qual é a relevância da produção de texto num vestibular? E por que parece tão difícil escrever uma redação?
A redação procura avaliar a capacidade do candidato de articular conhecimentos e responder questões que não tenham uma solução formal e irrefutável. Não se exige uma resposta “correta”, mas hipóteses prováveis. A redação procura avaliar o envolvimento do candidato com os problemas do mundo em que vive, se este possui responsabilidade social, preocupação ética, hábito de reflexão, capacidade de utilizar os conhecimentos adquiridos em favor da coletividade, se sabe usar a linguagem para fazer-se entender e para ouvir as razões do outro. Todas essas competências levam a uma transformação da ordem social. E, para isso, o candidato deve preparar-se desde muito cedo.
Em geral, os temas escolhidos pelos organizadores aglutinam-se em três vertentes:
 - O homem em relação a si mesmo;
-  O homem em sua relação com o outro (temas políticos, sociais, culturais);
- O homem em sua relação com o mundo (temas que visam discutir o meio ambiente, desenvolvimento, mundo digital, etc).
A prova de redação pretende avaliar a capacidade do candidato de operar com os conhecimentos adquiridos, em que a capacidade de interpretação de textos é muito valorizada, já que numa coletânea podem participar fragmentos tanto literários quanto filosóficos, ou informativos, imagens, até mesmo charges.
Fugir ao tema ou à proposta é o pecado capital do vestibulando ao escrever dissertações. Principalmente o texto pré-moldado – a argumentação padronizada, usada independentemente do tema sugerido em prova. Da tentativa de fazer um texto criativo e conexões inéditas, podem nascer textos desconectados da ideia central. Isso é bastante comum e pode prejudicar a nota de consistência temática. Usar chavões, demonstrar prolixidade demais, desviar do assunto central são vícios que devem ser evitados. Para não fugir do foco, o aluno precisa encontrar seu propósito inicial, ter clareza em seu objetivo, ou seja, encontrar um ponto de vista sobre o assunto. É necessário desenvolver a capacidade de detectar o tema por trás de um texto (coletânea), questionar-se quanto ao que se pretende discutir.
Os desvios à norma padrão da língua portuguesa podem interferir e muito na compreensão da ideia que o candidato deseja expressar. No caso da modalidade escrita, o foco da avaliação é o conjunto lexical, ou seja, o vocabulário do candidato. Termos vagos demais, palavras que não cabem no contexto, gírias e marcas de oralidade são perturbações graves nesse critério.  Mais uma vez, o hábito de leitura auxilia e muito na absorção de vocabulário, e a nota máxima nesse critério é atribuída não ao texto que não apresenta erro algum, mas sim, àquele que apresenta fluidez e um bom conjunto lexical.
Um texto que apenas reproduz ideias do senso comum não é bem avaliado, afinal, não há, nesse caso, originalidade. Ser original significa fugir das frases feitas, das fórmulas prontas. Tais expressões são conhecidas também como clichês ou chavões, e não raro denotam falta de reflexão por parte do estudante. Somente a leitura – diversificada e frequente – pode livrá-lo das armadilhas dos clichês. Bons leitores contam com inúmeros recursos linguísticos que lhes permitem traduzir, com precisão, ideias e opiniões, contribuindo assim para a devida valorização do que escrevem. Escrever se aprende lendo e escrevendo.
(Contribuição da Profa. Michella)