O Continuum Espaço Tempo
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Cientificamente, quando se fala em continuum, está-se falando em continuum espaço-tempo. Antes de Einstein, a concepção de espaço e tempo que tínhamos era a de Isaac Newton, que separava essas duas dimensões, chamadas de espaço e tempo absolutos. Para Newton, o espaço é a percepção humana da realidade, como nós vemos o mundo. É uma espécie de palco onde os fenômenos da natureza acontecem sem interferência. Quando Einstein criou, em 1905, a teoria da relatividade, mostrou que existia uma relação muito profunda entre o espaço e o tempo, e que a percepção que se tem da realidade é uma percepção míope.
Como se dá essa relação?A diferença entre as teorias de Newton e de Einstein é que o primeiro separava o espaço e o tempo e o segundo mostrou que, na verdade, eles formam uma coisa só. Esse é o chamado continuum espaço-tempo. Einstein mostrou que a estrutura do continuum espaço-tempo tem a ver com a velocidade da luz. Quanto mais próximo da velocidade da luz se está, mais essa estrutura se revela. Como os movimentos humanos são muito mais lentos do que a velocidade da luz, que é a velocidade-limite, não se percebe a união do espaço e do tempo.
Se tempo e espaço são uma coisa só, pode-se dizer que existe passado, presente e futuro?Passado, presente e futuro existem exatamente por causa da velocidade da luz. Ela é o limite da causalidade, da relação entre causa e efeito. Ela ordena nossa percepção da realidade. O continuum espaço-tempo é simplesmente uma relação que explica como as coisas acontecem.
O conceito de continuum espaço-tempo tem aplicação prática?
Existem várias aplicações práticas, uma delas é o sistema GPS. Tudo o que tem a ver com laser, tecnologia digital, energia de circuitos muito rápidos tem a ver com relatividade.
Os cientistas admitem a possibilidade de falha no continuum espaço-tempo?
Imagine o continuum espaço-tempo como se fosse a superfície de um colchão. Se não há ninguém sentado no colchão, ele é bem plano. Esse é o continuum da relatividade especial. Se alguém sentar no colchão, ele vai encurvar. Esse é o continuum da relatividade geral. Quanto mais massa, mais curva será a geometria do espaço-tempo. O efeito da massa é encurvar a geometria do espaço e alterar o fluir do tempo. O buraco negro é uma falha no continuum espaço-tempo. É uma região de espaço-tempo que tem tanta massa, tem tanta gravidade, que o espaço se curva de tal forma que se fecha sobre si mesmo. Nada escapa desse espaço, nem mesmo a luz, por isso se chama buraco negro. Em uma analogia, é como se uma pessoa se sentasse no colchão e ele a engolisse.
Na história da humanidade, há alguma incongruência que possa ser vista como conseqüência dessa falha?
Eu posso dizer o seguinte: a falha mais importante na história do universo é uma falha no espaço-tempo: o Big Bang, o início de tudo. Nascemos essencialmente de uma falha no espaço-tempo. No centro de nossa galáxia, a Via Láctea, há um buraco negro que pesa mais de 3 milhões de sóis. Exatamente lá, no olho da tempestade, vamos dizer assim, há uma grande falha no espaço-tempo.
Como o continuum espaço-tempo pode ser aplicado nas diversas expressões artísticas?
Existem várias discussões sobre o efeito da relatividade nas artes. Einstein escreveu a teoria da relatividade Especial em 1905, e Picasso pintou Les Demoiselles d'Avignon, obra que inaugura o cubismo, em 1907. As pinturas cubistas representavam todas as dimensões de uma pessoa ou objeto, como uma forma de desarticular a estrutura do espaço e rearticulá-la num plano bidimensional. Mesmo que Picasso e Einstein não tenham se conhecido, seu contexto cultural era o mesmo. Na literatura também há a idéia do relativismo. Pode-se contar a mesma história de maneiras diferentes, segundo pontos de vista diferentes e com um fluir diferente. Ou seja, o tempo é relativo, depende da percepção de cada um. Um livro profético é A Máquina do Tempo, escrito por H.G. Wells em 1895, dez anos antes da teoria da relatividade, que tem como tema a viagem no tempo por meio de uma máquina. Na música, no início do século XX, temos Mahler, Stravinsky e a idéia de repensar a representação da música, o ritmo. Todas essas vanguardas também sofreram a influência da teoria da psicanálise, de Freud, e trabalhavam com o inconsciente. No cinema, o filme 2001: Uma Odisséia no Espaço (de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke) também apresenta a idéia de viagem no tempo e no espaço. Na verdade, é uma reflexão sobre o que significa ser divino, é uma reflexão sobre Deus. Outro filme, mais moderno, que trabalha a questão da viagem no tempo é Contato (de Robert Zemeckis), baseado no livro de Carl Sagan.
Atualmente, temos a percepção de que o tempo passa cada vez mais rápido. Essa percepção tem a ver com o continuum?
Essa percepção é somente psicológica. Mais do que nunca, estamos sendo bombardeados por informações, o que dá a impressão de que as coisas estão acontecendo mais rápido, já que o cérebro tem de processar de forma mais rápida essas informações. Nosso cérebro está processando muito mais inputs do que antigamente. Então, temos a impressão de que o tempo está passando mais rápido. Mas, em termos físicos, a Terra continua girando a cada 24 horas!
O continuum pressupõe que tudo já está determinado?
As leis de Newton poderiam ser utilizadas para prever tudo o que vai acontecer no futuro. Há uma questão filosófica muito profunda nisso, porque dessa forma se acaba com o livre-arbítrio. Já que tudo está predeterminado, não se tem mais escolhas. O que se mostrou na física moderna é que existem falhas e que nada está predeterminado. Sabemos que a Terra dá uma volta em torno de si a cada 24 horas, e isso vai continuar acontecendo. Futuramente, vai haver uma desaceleração, mas esse fenômeno vai demorar muito para acontecer. A Lua vai se afastar um pouco da Terra, mas isso não está agendado. Existem sistemas físicos com os quais podemos determinar o que vai acontecer no futuro. Eu escrevi um livro sobre o fim do mundo, chamado O Fim da Terra e do Céu, e creio que precisaríamos ter muito mais informações sobre o universo do que dispomos no momento para prever quando será o fim do mundo.
Pesquisando para esta entrevista, deparamos com a expressão paradoxo do tempo. Você poderia explicar esse conceito e sua relação com o continuum?
Um exemplo de paradoxo do tempo ocorre se hipoteticamente uma pessoa puder viajar mais rápido no tempo do que a velocidade da luz. A princípio, essa pessoa poderia voltar para o passado. Vamos supor que essa pessoa voltasse para o passado e matasse seu avô. Isso seria um paradoxo do tempo, pois essa pessoa não existiria no futuro. Existem várias tentativas de explicação desse paradoxo. Uma delas é que, se fosse possível viajar para o passado, isso criaria uma nova vertente do continuum, uma nova história. Outra diz que as leis da física parecem proibir que se viaje para o passado. Então, nesse caso, os paradoxos não existem. No momento, essa é a teoria mais aceita. Agora, viagens para o futuro são possíveis. Nesse caso, ocorre o que é chamado de paradoxo dos gêmeos da relatividade, que é o seguinte: imaginemos uma situação em que irmãos gêmeos se separam. Um fica na Terra, e o outro viaja, numa espaçonave, durante um tempo próximo ao da velocidade da luz. Quando um relógio viaja em uma velocidade alta, o tempo passa mais devagar. Então, o irmão que ficou na Terra teria envelhecido quarenta anos. E o que viajou próximo à velocidade da luz, quando retornasse à Terra, teria envelhecido somente vinte anos. Ele viajou vinte anos para o futuro. Essa situação hipotética, segundo a relatividade, é possível, contanto que haja uma máquina, um foguete, que viaje próximo à velocidade da luz.
Quais as implicações filosóficas do conceito de continuum?
As equações da relatividade são da física, e na matemática o conceito de continuum também existe. Mas ele pode ainda ter conseqüências filosóficas, como a idéia de que nossa percepção da realidade é limitada, já que nunca nos aproximamos da velocidade da luz. Temos, então, uma visão míope do que realmente acontece no mundo. Mas o continuum espaço-tempo é um conceito essencialmente da física, com várias conseqüências observacionais. As teorias de Einstein são teorias que estão muito além de nossa percepção do real. Uma coisa interessante da teoria da relatividade é que Einstein criou uma plasticidade do espaço. Antes dele, o espaço era rígido; depois, o espaço e o tempo passaram a ser coisas performáveis pela ação do observador. Existem várias maneiras de analisar como a plasticidade do espaço criada pela teoria da relatividade influenciou o pensamento artístico no século XX.
(Entrevista com o Professor do Dartmouth College, em Hannover, Estados Unidos, o físico e astrônomo Marcelo Gleiser)
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O cursinho que é a sua cara!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
GRAVITAÇÃO
Para compreender melhor o conceito de Gravidade: segundo Newton e sob a luz da Teoria da Relatividade de Einstein.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Audição de Violino
Bruna Padô toca Bach e Vivaldi
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No dia 20 de Setembro após as aulas, a aluna do curso pré vestibular matutino Bruna Padovani apresentou algumas de suas peças favoritas de violino para os alunos reunidos na biblioteca.
Bruna pretende prestar música na UNICAMP e está se preparando para sua prova de aptidão em um instrumento.
Ela toca violino há oito anos e pretende seguir carreira musical. A apresentação agradou a todos, mesmo os que nunca tinham ouvido ao vivo o som de um violino.
Bruna, estamos torcendo pelo seu sucesso e obrigada pela apresentação!
Confiram um trecho da apresentação:
A seguir algumas fotos do evento
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No dia 20 de Setembro após as aulas, a aluna do curso pré vestibular matutino Bruna Padovani apresentou algumas de suas peças favoritas de violino para os alunos reunidos na biblioteca.
Bruna pretende prestar música na UNICAMP e está se preparando para sua prova de aptidão em um instrumento.
Ela toca violino há oito anos e pretende seguir carreira musical. A apresentação agradou a todos, mesmo os que nunca tinham ouvido ao vivo o som de um violino.
Bruna, estamos torcendo pelo seu sucesso e obrigada pela apresentação!
Confiram um trecho da apresentação:
A seguir algumas fotos do evento
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A CIDADE E AS SERRAS
Comentários sobre o romance de Eça de Queiroz
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Romance centrado na crítica ao tecnicismo, ao cientificismo e à cultura de superfície da chamada civilização. Nota-se abandono do negativismo da fase realista e reencontro com as forças positivas de Portugal.
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Romance centrado na crítica ao tecnicismo, ao cientificismo e à cultura de superfície da chamada civilização. Nota-se abandono do negativismo da fase realista e reencontro com as forças positivas de Portugal.
“A Cidade e as Serras” está dividido em dezesseis capítulos. O romance foi escrito a partir de um conto de Eça, “Civilização”;
Oposição central da obra: cidade X campo
Por uma conclusão bem natural, a idéia de civilização, para Jacinto, não se separava da imagem da cidade, de uma enorme cidade, com todos os seus vastos órgãos funcionando poderosamente. Nem este meu supercivilizado amigo compreendia que longe de armazéns servidos por três mil caixeiros; e de mercados onde se despejavam os vergéis (jardins, pomares) e lezírias (terra plana e alagadiça, nas margens de um rio) de trinta províncias...
1ª parte: crítica à civilização: Paris com tipos caricatos e situações de grande comicidade
Ironia: quando Jacinto se dirige a Portugal, lamenta “deixar a Europa”.
2ª parte: a crítica zombeteira é substituída por compreensão simpática, longas descrições e ternura.
Em Tormes, Jacinto é conquistado pela vida simples e sadia que antes desprezara, muda de atitude e seu horror se volta contra a cidade, com sua artificialidade doentia, seus excessos e falsidade.
Foco narrativo em 1ª pessoa: José Fernandes, personagem coadjuvante.
Tempo: cronológico, com flashback para explicar por que Jacinto nasceu em Paris.
Há três tempos: o primeiro, em que Jacinto de Tormes aprecia a civilização e exalta-a; o segundo, quando José Fernandes retorna de Portugal (após sete anos) e encontra Jacinto diferente, mais magro, sem o vigor de antes; e o terceiro, quando ambos vão a Portugal e Jacinto pode, finalmente, reencontrar suas raízes e sentir que ali, junto à terra, seria plenamente feliz.
Espaço: Há dois espaços distintos: a cidade, que é Paris, sobretudo o número 202 da avenida Campos Elísios e as serras, Portugal de Gui ães e Tormes.
Personagens:
José Fernandes: nascido em Portugal, Gui ães, é amigo do protagonista e narrador da história;
Jacinto de Tormes, “Príncipe da Grã-Ventura”: protagonista, nascido em Paris, é filho de portugueses (o pai morrera três meses e três dias antes do nascimento do filho), jamais fora a Portugal. Criado pela avó paterna, vivia dos lucros das propriedades em Portugal.
Na faculdade, recebe o apelido de “Príncipe da Grã-Ventura”(porque não teve sarampo, nem lombrigas; os amigos o admiravam). Nessa época, em Paris, andavam em voga as teorias positivistas, das quais o protagonista se revela entusiasta. Jacinto elabora uma filosofia de vida:
A felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da mecânica e da erudição.
De volta a Paris, Zé Fernandes retrata dessa forma a decadência do protagonista, de quem se havia separado durante sete anos:
Reparei então que meu amigo emagrecera; e que o nariz se lhe afilara mais entre duas rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis de seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não frisava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. Também notei que corcovava.
Jacinto Galião( ou Galeão): português, avô de Jacinto, gordíssimo e riquíssimo. Mudou-se com a família para Paris ao saber que d. Miguel fora exilado.
Jacinto Galião correu pela casa, fechou todas as janelas como num luto, berrando furiosamente:
_ Também cá não fico! Também cá não fico!
D. Angelina Fafes: avó de Jacinto, responsável por sua criação;
Grilo: criado negro, fiel, amigo e dedicado. Viera de Portugal com o velho Galeão e d. Angelina. Trabalhava ainda para jacinto de tormes.
Joaninha:prima de José Fernandes; casa-se com Jacinto e têm um casal de filhos;
Afonso e tia Vicência: tios do narrador;
Cintinho: pai de Jacinto, os criados lhe chamavam a “Sombra”.
O Cintinho crescera. Era um moço mais esguio e lívido que um círio, de longos cabelos corredios, narigudo, silencioso, encafuado em roupas pretas, muito largas e bambas; de noite, sem dormir, por causa da tosse e de sufocações, errava em camisa com uma lamparina através do 202; e os criados na copa lhe chamavam a Sombra.”
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