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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A CIDADE E AS SERRAS

Comentários sobre o romance de Eça de Queiroz
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Romance centrado na crítica ao tecnicismo, ao cientificismo e à cultura de superfície da chamada civilização. Nota-se abandono do negativismo da fase realista e reencontro com as forças positivas de Portugal.

“A Cidade e as Serras” está dividido em dezesseis capítulos. O romance foi escrito a partir de um conto de Eça, “Civilização”;

Oposição central da obra: cidade X campo

Por uma conclusão bem natural, a idéia de civilização, para Jacinto, não se separava da imagem da cidade, de uma enorme cidade, com todos os seus vastos órgãos funcionando poderosamente. Nem este meu supercivilizado amigo compreendia que longe de armazéns servidos por três mil caixeiros; e de mercados onde se despejavam os vergéis (jardins, pomares) e lezírias (terra plana e alagadiça, nas margens de um rio) de trinta províncias...

1ª parte: crítica à civilização: Paris com tipos caricatos e situações de grande comicidade
              Ironia: quando Jacinto se dirige a Portugal, lamenta “deixar a Europa”.

2ª parte: a crítica zombeteira é substituída por compreensão simpática, longas descrições e  ternura.
              Em Tormes, Jacinto é conquistado pela vida simples e sadia que antes desprezara, muda de atitude e seu horror se volta contra a cidade, com sua artificialidade doentia, seus excessos e falsidade.

Foco narrativo em 1ª pessoa: José Fernandes, personagem coadjuvante.

Tempo: cronológico, com flashback para explicar por que Jacinto nasceu em Paris.
Há três tempos: o primeiro, em que Jacinto de Tormes aprecia a civilização e exalta-a; o segundo, quando José Fernandes retorna de Portugal (após sete anos) e encontra Jacinto diferente, mais magro, sem o vigor de antes; e o terceiro, quando ambos vão a Portugal e Jacinto pode, finalmente, reencontrar suas raízes e sentir que ali, junto à terra, seria plenamente feliz.


Espaço: dois espaços distintos: a cidade, que é Paris, sobretudo o número 202 da avenida Campos Elísios e as serras, Portugal de Guiães e Tormes.

Personagens:
José Fernandes: nascido em Portugal, Guiães, é amigo do protagonista e narrador da história;

Jacinto de Tormes, “Príncipe da Grã-Ventura”: protagonista, nascido em Paris, é filho de portugueses (o pai morrera três meses e três dias antes do nascimento do filho), jamais fora a Portugal. Criado pela avó paterna, vivia dos lucros das propriedades em Portugal.

Na faculdade, recebe o apelido de “Príncipe da Grã-Ventura”(porque não teve sarampo, nem lombrigas; os amigos o admiravam). Nessa época, em Paris, andavam em voga as teorias positivistas, das quais o protagonista se revela entusiasta. Jacinto elabora uma filosofia de vida: 
A felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da mecânica e da erudição.

De volta a Paris, Zé Fernandes retrata dessa forma a decadência do protagonista, de quem se havia separado durante sete anos:   

Reparei então que meu amigo emagrecera; e que o nariz se lhe afilara mais entre duas rugas muito fundas, como as de um comediante cansado. Os anéis de seu cabelo lanígero rareavam sobre a testa, que perdera a antiga serenidade de mármore bem polido. Não frisava agora o bigode, murcho, caído em fios pensativos. Também notei que corcovava.

Jacinto Galião( ou Galeão): português, avô de Jacinto, gordíssimo e riquíssimo. Mudou-se com a família para Paris ao saber que d. Miguel fora exilado.

Jacinto Galião correu pela casa, fechou todas as janelas como num luto, berrando furiosamente:
_ Também cá não fico! Também cá não fico!

D. Angelina Fafes: avó de Jacinto, responsável por sua criação;

Grilo: criado negro, fiel, amigo e dedicado. Viera de Portugal com o velho Galeão e d. Angelina. Trabalhava ainda para jacinto de tormes.

Joaninha:prima de José Fernandes; casa-se com Jacinto e têm um casal de filhos;

Afonso e tia Vicência: tios do narrador;

Cintinho: pai de Jacinto, os criados lhe chamavam aSombra”.

O Cintinho crescera. Era um moço mais esguio e lívido que um círio, de longos cabelos corredios, narigudo, silencioso, encafuado em roupas pretas, muito largas e bambas; de noite, sem dormir, por causa da tosse e de sufocações, errava em camisa com uma lamparina através do 202; e os criados na copa lhe chamavam a Sombra.”

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